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 2009-06-05
A idade dos «porquês»
No passado 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, fui confrontado por um conjunto de jovens da nossa cidade que, na sua inocência, me fizeram um conjunto de questões que me levam a esta reflexão conjunta de eu me questionar e também de vos questionar cidadãos de Coimbra “dos porquês?”

Para além da defesa de pilares fundamentais da sociedade Coimbrã, aos seus representantes executivos autárquicos e regionais e ao responsável máximo da autarquia é exigível que mantenham um estado de alerta permanente pelos assuntos que podem fazer de Coimbra uma cidade central no desenvolvimento de toda uma região.

É verdadeiramente incrível como Coimbra se ajoelha perante as decisões do governo sem manifestar o menor assomo de intranquilidade, isto porque, no fim, quem paga verdadeiramente são os cidadãos que, ao elegerem Coimbra como a sua cidade, são pelo seu executivo camarário tratados como elementos menores.

O imobilismo e, até, o desleixo tomaram conta de Coimbra e agora eu e os jovens, estupefactos, perguntamos:

- Por que é que Coimbra (autarquia, empresas municipais e serviços) não convida e descrimina positivamente as suas empresas por altura da realização de concursos públicos?
- Por que é que Coimbra é centro de excelência universitário e não retém os talentos que forma?
- Por que é que Coimbra insiste nos recrutamentos através das linhas de sucessão dinástica/familiar e não premeia os recursos humanos pelas suas competências/capacidades?
- Por que é que Coimbra não aposta claramente nas suas gerações de futuro, os nossos jovens?
- Por que é que Coimbra não apoia a cultura e os seus agentes culturais?
- Por que é que Coimbra deixa delapidar os seus activos patrimoniais como a Mata do Choupal sem um assomo de apoio ao protesto?
- Por que é que Coimbra, perante uma crise sem paralelo, não apoia os seus habitantes socialmente mais desfavorecidos?
- Por que é que Coimbra não oferece resistência à debandada de entidades regionais como a Economia e a Agricultura?
- Por que é que Coimbra não apoia de modo indiscutível as suas instituições sociais de solidariedade social?
- Por que é que Coimbra não apoia claramente a reabilitação económica e urbana da baixa e não mantém digno o legado patrimonial histórico?
- Por que é que Coimbra não promove a atractividade de âncoras empresariais para o iparque, geradoras de emprego?
- Por que é que Coimbra não lutou para que a Saúde fosse um Pólo de Competitividade e deixou que o mesmo passasse para o Porto?
- Por que é que Coimbra não tem um verdadeiro espaço de congressos e multiusos?
- Por que é que Coimbra não tem uma estação de caminho-de-ferro condigna e não lutou pelo nó de interligação às redes europeias de alta velocidade?
- Por que é que Coimbra não lutou por um nó em Souselas/Botão potenciando a plataforma logística empresarial Souselas/Botão/Mealhada?
- Por que é que Coimbra ainda não construiu o parque ambiental e empresarial de Lamarosa /Andorinha para indústrias tradicionais?
- Por que é que Coimbra não explora o seu potencial energético na área eólica/solar térmica e fotovoltaica em S.Paulo de Frades e Eiras?
- Por que é que Coimbra não apoia o desenvolvimento do cluster dos viveiristas em Ceira, da tecelagem em Almalaguês e do turismo fluvial em Torres do Mondego?
- Por que é que Coimbra não desenvolveu o Plano Director do Aeródromo Bissaya Barreto (Antanhol e Cernache), transformando-o num aeroporto para tráfego de low-cost e afirrmando a posição geo-estratégica de Coimbra no segmento de turismo de negócios e lazer?
- Por que é que Coimbra não tem capacidade para se assumir como uma cidade líder de uma região?
- Por que é que Coimbra se ajoelha, sem se intranquilizar, com as medidas governamentais tomadas contra o seu desenvolvimento?

Para cada pergunta tem de haver uma resposta. Positiva, negativa ou neutra, é da qualidade das respostas que depende o futuro próximo de Coimbra. Saber questionar-se é um exercício preventivo, mas também prospectivo, porque cada questão é um momento para encontrar a resposta que mais se adequa.

Mas as respostas devem ser um processo de afirmação colectiva e os Conimbricenses têm o direito, mas também o dever, de se assumirem como uma sociedade civil activa, porque questionadora do seu futuro.

Da qualidade das respostas, que devem ser encontradas ou apoiadas pela sociedade civil, depende a melhor ou pior construção de um futuro de curto, médio e longo prazo e sem dúvida que a população de Coimbra terá, a breve prazo, uma possibilidade ímpar de castigar o imobilismo e o desleixo.
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